sábado, 28 de novembro de 2015

Dois

Não tenho nada contra a independência feminina, sou fruto dessa geração e tenho muito orgulho. Queria apenas entender, em que momento virou defeito querer ter alguém que nos complete.
Toda essa conversa de autoconhecimento, de ser completa quando se está só, de realmente conseguir ver a vida somente – e tão somente – pelo prisma da solidão, do espaço para reflexão, da necessidade de ser um ser ímpar...
Mais um defeito para a minha coleção.
Ou não.
Sei como eu sou quando estou só, me conheço bem o suficiente para prever as minhas atitudes, o que eu vou buscar, quanto tempo vai demorar até eu parar de achar a minha companhia tão interessante assim. A previsibilidade... será isso?
O que realmente sei é que sou muito melhor quando estou completa, quando tenho com quem dividir meus momentos, quando a minha vida não depende somente das minhas atitudes. É muito mais gratificante o inesperado, o frio na barriga, as descobertas, as afinidades, a intimidade que nasce, aquela quase telepatia que se desenvolve.
Não quero as cartas marcadas da minha companhia, a segurança de ser dona de todas as decisões. Que me desculpem as unitárias, mas nasci para ser par.

Decepção dói? Sim. Mas solidão dói mais.

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