Não tenho nada contra a independência feminina, sou fruto
dessa geração e tenho muito orgulho. Queria apenas entender, em que momento
virou defeito querer ter alguém que nos complete.
Toda essa conversa de autoconhecimento, de ser completa
quando se está só, de realmente conseguir ver a vida somente – e tão somente –
pelo prisma da solidão, do espaço para reflexão, da necessidade de ser um ser ímpar...
Mais um defeito para a minha coleção.
Ou não.
Sei como eu sou quando estou só, me conheço bem o suficiente
para prever as minhas atitudes, o que eu vou buscar, quanto tempo vai demorar
até eu parar de achar a minha companhia tão interessante assim. A
previsibilidade... será isso?
O que realmente sei é que sou muito melhor quando estou
completa, quando tenho com quem dividir meus momentos, quando a minha vida não
depende somente das minhas atitudes. É muito mais gratificante o inesperado, o
frio na barriga, as descobertas, as afinidades, a intimidade que nasce, aquela
quase telepatia que se desenvolve.
Não quero as cartas marcadas da minha companhia, a segurança
de ser dona de todas as decisões. Que me desculpem as unitárias, mas nasci para
ser par.
Decepção dói? Sim. Mas solidão dói mais.